Eu não podia estar fazendo isso, estava cansada disso, passei anos fazendo isso. Isso! Não era certo brincar com as pessoas, mas eu gostava de ver as reações delas. Não deveria retornar, não era certo, mas valeria a pena fazer Damon sofrer do próprio veneno, por ter me atordoado por anos. Um século para ser precisa.
O dia estava frio, outono, todas as folhas secas, era legal. Acordei atrasada para variar, odiava essa vida de estudante, nunca ia me acostumar aos horários das aulas, mas devia tentar. Sentei na cama, olhei as árvores na rua pela janela que ficava em cima da cabeceira da cama. O sol já estava muito forte lá fora, fechei a cortina, sorte que estava com meu anel se não já teria virado cinzas. Fiquei uns bons 10 minutos procurando a roupa para usar, tinha que procurar uma roupa que causasse boa impressão. Mas qual causaria? Maioria das roupas eram pretas, suéteres, jaquetas de couro e de moletom, calças, blusas. Escolhi um suéter de gola alta e fui até o porão buscar uma jaqueta grossa de inverno, voltei para o quarto, coloquei o suéter preto, um moletom de capuz preto por cima, uma manta cinza pra variar, um jeans skinny azul escuro, calcei meu Vans surrado, peguei a jaqueta grossa, soltei o cabelo, deixando-o cacheado, desci as escadas correndo, o cheiro estava muito forte lá em baixo.
– Bom dia! – Disse meu irmão usando um avental branco.
– Mas que diabos você está fazendo? – Eu perguntei rispidamente.
– Estou cozinhando. Não queria parecer normal? Então, pessoas normais se alimentam de manha.
– É, mas não preciso fingir dentro da minha própria casa.
– Mas se quer parecer normal lá fora tem que começar aqui dentro. Agora cala a sua boca e coma o que eu fiz especialmente pra você. – Disse ele me atirando um prato cheio de Waffles.
– Quer me ver explodir? Deve estar louco.
– Coma! – Disse ele.
Enfiei o máximo de Waffles possível na boca.
– Muito bom, agora engula.
Fiz que engoli, e mostrei a boca vazia pra ele.
– Gostei agora vá escovar os dentes.
Fui até o banheiro, cuspi os Waffles no vaso e dei descarga, e escovei os dentes. “Que palhaçada” pensei. Desci e voltei à cozinha.
– Aqui está a sua mochila e – disse ele me alcançando uma mochila preta com umas caveirinhas brancas pintadas – vá indo pra garagem que eu vou te levar no colégio, já está atrasada.
– Que ótimo. Hei! Você não vai comer não? – Eu disse levantando uma sobrancelha.
– Ah tinha me esquecido. Também tenho que tentar. – Ele fez uma careta e colocou dois Waffles na boca e engoliu e me mostrou a boca vazia.
Fui até a garagem ele abriu o carro e entramos e ele me levou até a escola.
– Boa aula! – Disse ele quando eu saia do carro.
– Vá se ferrar Eric! – E mostrei o dedo do meio, coloquei o capuz do moletom e entrei no colégio.
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